Tumores do esôfago

No esôfago podemos encontrar neoplasias benignas e neoplasias malignas.

As neoplasias benignas não costumam ter importância clínica, sendo geralmente encontradas no curso de endoscopias realizadas por causa de sintomas não relacionados com a neoplasia ou no exame post-mortem.

Os mais freqüentes são os leiomiomas (também chamados liomiomas), que são tumores benignos de musculo liso, habitualmente pequenos. Ocorrem geralmente no terço inferior do esôfago, originando-se na muscular própria e crescendo para fora do esôfago.
Podemos encontrar ainda pólipos (geralmente não neoplásicos), constituídos por um eixo conjuntivo recoberto por mucosa.

As neoplasias malignas têm incidência variável de acôrdo com a região estudada. São mais comuns na China, Irã, algumas regiões da África e Rússia, acometendo principalmente os homens.
No Brasil são mais comuns na região sul.

O alcoolismo e o tabagismo crônicos são importantes fatôres predisponentes. A contaminação da dieta com certos fungos (Aspergillus) e dietas ricas em nitritos e nitrosaminas também são associados com alta prevalência de câncer do esôfago.

Geralmente são carcinomas de células escamosas. Ocorrem, em ordem de freqüência, no terço médio, terço inferior e terço superior. Os adenocarcinomas ocorrem principalmente no terço inferior, sendo geralmente precedidos por uma condição denominada esôfago de Barrett. Esta é uma condição em que parte da mucosa esofageana é substituída por mucosa gástrica.

Os carcinomas começam como pequenos espessamentos da mucosa e crescem em todas as direções, infiltrando as camadas mais externas do esôfago, atingindo toda a sua circunferência, crescendo para baixo em direção ao estômago e para cima.

Macroscopicamente podem assumir o aspecto vegetante (60%), ulcerado (25%) ou infiltrante difuso(15%). Um tumor vegetante projeta-se para a luz formando uma massa; um tumor ulcerado apresenta uma escavação central e um tumor infiltrante difuso tende a crescer na intimidade da parede do esôfago, espessando-a.

Microscopicamente os carcinomas de células escamosas são formados por células pleomórficas, com hipercromasia nuclear e mitoses atípicas. Estas células formam pequenos grupos que podem ser centrados por escamas córneas, e que invadem o tecido conjuntivo.

Os carcinomas de células escamosas podem ser bem diferenciados, moderadamente diferenciados ou mal diferenciados.

Dizemos que uma neoplasia é bem diferenciada quando grande parte de suas células amadurecem, reproduzindo a estrutura do tecido de origem. À medida que amadurecem, as células vão perdendo a capacidade de reprodução. Isto é importante para se estabelecer o prognóstico e o tratamento, pois neoplasias bem diferenciadas (em outras palavras, que "amadurecem"), costumam evoluir mais lentamente, mas são menos sensíveis à radioterapia.

Infelizmente a maior parte dos pacientes com câncer do esôfago, quando chega a obter assistência médica, já está na fase avançada da doença, que se propaga através da rede linfática para linfonodos vizinhos. Por causa da sua localização anatômica, muitos destes tumores invadem a pleura, a traquéia, os brônquios, o pericárdio, a aorta ou a veia cava, tornando a sua cura muito difícil.

Classicamente o câncer do esôfago causa disfagia progressiva. Inicialmente o paciente tem dificuldade de deglutir alimentos sólidos. Posteriormente esta dificuldade se agrava, tornando difícil a ingestão de alimentos pastosos e, finalmente, de líquidos.
Assim, muitas vezes, o paciente chega emagrecido, anêmico e desidratado ao médico.
Por causa do refluxo de alimentos, que não vencem a barreira do tumor, ou do aparecimento de fístulas para a árvore respiratória, ocorrem pneumonias.
A invasão da aorta pode levar a hemorragias volumosas e fatais.

A maior parte dos pacientes com câncer do esôfago (70%) evolui para o óbito em menos de um ano após estabelecido o diagnóstico. A taxa de sobrevida de 5 anos é de 5 a 10%.

O Ministério da Saúde estimou que, em 1997, 4.630 pessoas (3.560 homens e 1.070 mulheres) morreriam no Brasil, vítimas de câncer do esôfago, representando uma taxa bruta de mortalidade de 4,7% (óbitos por 100.000 habitantes). Foi, no Brasil no ano de 2000, a 4ª neoplasia que mais matou homens e a 7ª que mais matou mulheres.


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